Eis que essa postagem se inicia com uma palavra que eu peguei emprestada do nordeste que não podia explicar melhor o meu estado de vida.
Estou ariada. Em uma outra situação eu estaria rindo dessa palavra, já que pra mim ela não é muito comum, mas na situação de agora ela deixou de ser engraçada e passou só a pertencer a minha pessoa. E não, não vou me dar o trabalho de traduzir, se virem, a internet está aí pra isso. Pode ser que eventualmente você entenda o significado durante o texto.
O fato é que, a vida voltou a ficar um pouco cinza, na verdade não tão exatamente cinza, só ficou desfocada, com névoa, com muitas bifurcações e alguns labirintos talvez. Enfim, eu dei voltas e voltas e voltas e me deparei de novo com aquelas milhões de placas num poste, com vários nomes de lugares, apontando para inúmeras direções/caminhos e fiquei lá parada, tentando criar forças pra decidir qual caminho tomar.
Pequei um banquinho, sentei na frente do poste e adormeci, quando acordei perdi um pedaço da vida e não tinha mais vontade de ir pra lugar nenhum, a vontade era de armar um acampamento ali mesmo, fazer uma plantação pra sobreviver, criar raízes e simplesmente não ter que me mover para lugar nenhum. Nenhum caminho me interessava mais.
O problema todo, é que eu sabia que vários amigos já tinham passado por essa mesma bifurcação e quase todos eles tinham se decidido que caminho seguir, mesmo que por algum acaso eles tenham voltado, refizeram a escolha. Também não era nada bom ver conhecidos relativamente novos, que outro dia eram crianças, passando pelas placas e indo em frente e você lá, sentada tentando frustradamente fazer a melhor escolha e não indo a lugar nenhum.
Pra não dizer que a vida tá tão turva e indefinida assim, por sorte eu encontrei uma doninha durante essas idas e vinda. Sabe, aquele bichinho fofo, de cor marrom, que corria agitada de um lado pro outro, esbarrou comigo num desses caminhos que eu decidi pegar um dia poucos anos atrás. Quando eu a conheci, eu achei a coisa mais fofa do mundo, sorte a minha é que ela gostou de mim também e resolveu me ajudar nas escolhas dos caminhos, assim como eu nos dela, já que aparentemente ela também não sabia exatamente se tinha escolhido a direção certa. Conhecê-la foi uma das melhoras coisas que aconteceu, até coloriu a vida de novo.
Isso foi antes de eu adormecer no banquinho sabe? Eu fui e voltei em vários caminhos, mas nunca fui até o final de nenhum deles, eu estava até bem na medida do possível, já que eu não sabia claramente para onde ir, mas estava satisfeita explorando as possibilidades de cada estrada que eu resolvia adentrar um pouquinho.
Nessas idas e vindas eu e a doninha nos encontramos verdadeiramente duas vezes, a última foi recente e foi mágica, até conseguimos por um tempo construir um caminho só nosso. Aliás, um caminho só nosso é um projeto que a gente vem querendo construir há algum tempo, mas não é fácil achar as pedrinhas certas e colocá-las uma na frente da outra. Mas enfim, desse caminho eu não tenho dúvidas, com certeza quero segui-lo até o final. Aos poucos a gente vai encaixando os pedaços pro caminho ficar lindo.
O problema é que, antes de nos encontramos nessa última vez, eu já estava parada na frente do emaranhado de placas a algum tempo, seguir nosso caminho foi ótimo, mas percorrer ele de volta até a bifurcação não foi nada legal.
Foi aí que eu me vi dormindo e acordando, dormindo, dormindo e acordando, dormindo, dormindo dormindo e acordando. Eu tinha medo de dormir e não acordar mais sabe? Virar aquele zumbi da humanidade, aquele que anda anda anda, come come come e nada faz de útil, pelo contrário, morde outras pessoas pra que elas possam zumbizar a sociedade toda e seguir pelo mesmo caminho cinza de cimento, asfalto e muita poluição.
Nesse dorme e acorda eu descobri um motivo que me fazia me manter mais tempo acordada, e é o que anda me fazendo abrir os olhos todos os dias e pelo menos olhar o dia, mesmo que todos os caminhos estejam abarrotados de névoas. Eu resolvi focar na doninha sabe? Em fazer ela estar bem e ficar bem e seguir mais tranquila o caminho que escolheu, mesmo tendo dúvidas. Eu quase sempre fico bem quando sei que ela está bem, mesmo que eu não esteja passando por bom dia.
Então foi isso, a minha vida, ficou sendo a vida de outra pessoa e cá estou vivendo desse jeito. Claro que eu sei e todos sabem que ninguém fica bem vivendo a vida alheia, mas eu estava indo bem sabe? com a minha-vida-dela, mas aparentemente existe um martelinho que fica lá no canto do cérebro que não deixa eu esquecer que a minha-vida-minha ainda existe e que seria bacana se eu resolvesse também me aventurar por qualquer caminho, mesmo que futuramente esse não seja o certo.
E depois também, eu tenho uma pendência decisiva pra resolver em um desses caminhos que eu segui durante anos e não cheguei ao final por causa de uma "bobeirinha" que "eu faço rapidinho" chamada trabalho de conclusão de curso. Negócio fácil aí, que eu não escrevi porque não estava afim e vou deixar de concluir o caminho que a seta indicava como "faculdade" e pegar meu diploma no final só porque eu "não me esforcei o suficiente".
Acho que na verdade esse é o meu maior empecilho pra não seguir em frente e me aventurar por em busca de trilhas novas, eu não consigo esquecer que eu voltei o caminho todo da "universidade" e não consegui nem dar uma bisbilhotada no marco de chegada onde veria o troféu chamado "diploma".
Aí por fim, fica nisso, eu lá agarrada, sentada no banquinho, olhando de vez em quando pra seta que indica "faculdade" com o slogan "pegue seu diploma por aqui" e de vez em quando para as outras setas de caminhos que parecem fantásticos e que eu gostaria de seguir talvez, assim que tivesse aquele canudo um papel dentro indicando o fim do caminho anterior. Fico lá, arrependida de uma decisão que na verdade não queria ter tomado, queria ter decidido ir até o fim.
Eu tenho problemas em chegar até o fim das coisas, isso é um fato, mas eu vinha conseguindo dar conta disso, e eu não queria ter tido esse problema logo nesse processo tão importante da vida.
Eu estou ariada e arrependida.
E talvez eu até saiba quais passos eu teria que dar pra sair dessa mas tá difícil colocar as pernas pra funcionar, parece que elas têm vontade própria e não querem me respeitar. Ou vai ver o comando que eu mando talvez não pareça tão verdadeiro, daí elas têm dúvidas se é pra fazê-lo ou não. Enfim, a estorinha da vida por enquanto é essa.
Espero voltar aqui uma próxima vez um pouco mais decidida e menos arrependida. E como sempre, eu só vim pra desabafar, fazia algum tempo que eu precisava colocar em forma de texto meus pensamentos desconexos, eu realmente não posso deixar de escrever.
Ainda existem diversos textos martelando na minha cabeça para serem escritos, mas por enquanto vamos ficar só com esse aí mesmo, os outros ficam para uma outra hora.
Inté!
(ps, não revisei o texto, boa sorte com os erros de português e concordância).

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