quinta-feira, 30 de outubro de 2025

AuDHD

 Recentemente eu fui diagnosticada com TDHA e TEA.

Primeiro eu descobri o TDHA (desde o Brasil) e então tudo que eu via sobre esse tema, como relatos, termos, características.. quase tudo se encaixava comigo. E então minha vida fez mais sentido. Eu não fiquei triste com isso, eu fiquei aliviada. Eu não era doida, eu não era só desastrada, eu não era só desligada demais, eu tenho um transtorno e isso fez eu me entender melhor e entender que eu não tava exatamente errada, meu cérebro só nasceu diferente. Meio que eu fiquei contente em me entender e comecei logo a ver dicas de como lidar com as características do TDHA. Tem sido uma luta, mas algumas batalhas eu tenho conseguido vencer aos poucos.

Com o tempo, comecei a desconfiar que eu também tinha Autismo.. mas essa notícia não exatamente me agradava e por isso eu evitava ver e ler muito sobre isso.

Porém, eu tive um problema sério de adaptação em um trabalho aqui em Portugal e tive um burnout. Eu marquei um psiquiatra particular e na 3a consulta ele pode dizer que eu realmente tinha autismo.

Meio que eu sabia, mas essa notícia oficial não me fez bem do mesmo jeito que saber do TDHA fez. Por algum motivo, na minha cabeça, o autismo é muito mais difícil de aprender a viver e contornar as coisas do que o TDHA.

De qualquer forma, agora não dá mais pra negar que eu tenho também esse transtorno. E cada vez que eu leio coisas sobre, mas minha vida faz sentido. Só que, por algum motivo isso não têm trazido muito alívio como saber do outro transtorno.

Meio que trouxe preocupação pq eu não sei lidar com os “sintomas” do autismo. Eu não sei o que fazer cons shutdowns e meltdowns… e tem acontecido com frequência. Meio que não to conseguindo der conta de vida.

Eu nunca me sentir tão transtornada com os transtornos (haha) como agora. E eu tô medicado e mesmo assim a vida tem sido doida…

Não exatamente triste, mas sei lá… desordenada. Talvez eu precise escrever mais, né? Escrever sempre me ajudou a me entender. O problema é que, tem dias que minha energia tá tão baixa, que escreve fica fora de cogitação.

Tipo agora, meio que to me forçando a escrever e sinceramente, não tô gostando muito do texto. Escrever costumava ser mais fluido e me aliviava mais.. agora eu escrevo mais pra ter registrado o pensamento.

Enfim, acabou a energia do texto por enquanto.

A gente se vê,



sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Sempre há uma primeira vez

 Hoje, depois de 1 ano e seis meses morando aqui em Portugal que eu acho que comecei a ter uma ponta de saudade da familia.

Eu acordei agora de madrugada (deve ser por conta da sóbria do sono) e eu tinha tido um sonho onde eu procurava em grupos do Facebook de brasileiros em Portugal, alguém pra jogar uma partida de buraco comigo.

Achei muito aleatório isso e não sei se já acordada ou ainda no sonho fiquei com saudade da família reunida em ponta da fruta. Das pessoas em momentos felizes e meio que atoa. Descansando, indo à praia todo dia, comendo almoço e guloseimas de vovó Luzia, batendo um jogo de buraco que não acabava nunca no meio do dia ou até no meio da noite e depois caçando restos do almoço pra how ter ou qualquer besteira que fosse (misto de presunto e queijo) pra comer enquanto o jogo rolava.

Vários churrascos e música ao vivo. Várias conversas despretensiosas no muro da casa… vários risos.

Goiabas saborosas  retiradas do pé, assim conto coco, pinha, acerola e pitanga. Houve épocas e poças também, em alguns tempos já teve canavial, milhares, abóbora, caju, manga e jamelão que caia da árvore do vizinho e manchava todo chão de roxo e ninguém comia pq o gosto era estranho. No terreno vizinho (que era só mato e por anos pertenceu a família da minha prima) tinha também uma maqueira enorme da qual de vez em quando alguém se aventurava e subia lá pra pegar jacas maravilhosas. Também tinha coquinho. Esse não era do terreno, esse a gente pegava de uma planta que crescia só lá nas dunas (tinha que andar um bocado pela praia até chegar uma parte onde a praia e toda natureza ao redor era quase intocada pelo homem. Ali tinham dunas de areias brancas onde a gente ia pra brincar e às vezes colher coquinho. Os adultos pegavam de uma planta que era tipo um arbusto e ela dava um cacho no meio com um fruto que parecia um coco em miniatura. A gente levava pra casa e quebrava os cocos miniatura a pauladas (hahaha) e comia a massinja que tinha no centro. Eu não lembro exatamente o gosto, mas acho que lembrava coco mole mesmo, pelo menos a textura. Não lembro exatamente, eu era pequena. E para os pequenos era um evento o dia das dunas e comer coquinho quando chegava.

Enfim, ponta da fruta tem história que não acaba mais e quase todas as memórias são bem felizes.

Não entendi bem do que exatamente eu fiquei com saudade, mas parece que pode ter sido da família reunida comendo e rindo, indo a praia, vendo as estrelas no terraço e jogando buraco quando dava na telha.

Eu resolvi registrar isso pq amanhã pela manhã eu vou ter só um lapso de memória do sonho (que já quase não lembro completamente). Eu entendi que talvez isso seja saudade de casa de alguma forma.

Mas não to triste, só queria poder vivenciar isso de novo alguma vez na vida.

Penso que esse sonho se deu pq tô menstruada hahaha

Mas enfim, é só um registro, preciso voltar a dormir pq amanhã tenho coisas pra resolver (das quais não quero).

Inté 

Ah, são 4:37 da madrugada aqui e eu acordei acho que cerca de uma hora atrás querendo fazer xixi.

Fui